15 Novembro 2009

A aluna pediu transferência de escola!



Quem acompanhou o caso da aluna de Diadema, perseguida pela diretora por não usar o uniforme da escola, vendido ilegalmente na EE Aparecida Donizete de Paula, saiba que ela acabou desistindo de lutar pela própria integridade dentro da escola e pediu transferência. Leia aqui o post anterior, http://educaforum.blogspot.com/2009/11/prof-paulo-renato-prof-jose-benedito.html, em que ela relata o constrangimento que sofreu durante a "apuração preliminar" de que foi vítima.

A boa notícia é que ela não desistiu de estudar. Seria uma pena, pois poucos professores escrevem tão bem quanto essa aluna, que está apenas no 1º Ano de supletivo do Ensino Médio. Esta é a pura realidade:

A VÍTIMA QUE TEM CORAGEM DE DENUNCIAR OS MAUS TRATOS SOFRIDOS DENTRO DA ESCOLA TORNA-SE DUPLAMENTE VÍTIMA DURANTE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO. ASSIM ELA DESISTE DA LUTA, O QUE FORTALECE O AUTORITARISMO E A CORRUPÇÃO DENTRO DA REDE PÚBLICA DE ENSINO.

Leia a mensagem que recebemos da aluna na sexta-feira:

Por volta das 16:00 hs vou até à diretoria de Diadema, pedir para a Dona Maria Carmem que consiga outra escola, para que eu possa realizar as últimas provas em outra, ou pelo menos garantir minha matricula para o próximo período.

Estou com a pressão nas alturas e com o corpo trêmulo. Sinceramente não compensa, pois existem outros valores, minha saúde, meu trabalho, valores que não posso comprometer por uma situação que não terá fim.

Agradeço a atenção,
Luciana Vieira Silva

13 Novembro 2009

Prof. Paulo Renato, Prof. José Benedito, isso é apuração preliminar???


Nos últimos dias enviamos diversos e-mails para o Prof. José Benedito da COGSP, mas não recebemos resposta. Acreditamos que ele não os tenha recebido, pois costuma ser muito solícito. Também deixamos recados, mas conhecemos bem sua assessoria...

Por isso, e devido à urgência deste assunto (os outros podem esperar), publicamos trechos de uma longa mensagem que recebemos da mesma aluna de Diadema que esteve conosco na COGSP em 15 de outubro, relatando os constrangimentos e abuso moral de que tem sido vítima na escola. No dia seguinte à reunião, a aluna ficou com a impressão de que passaria a ser tratada de forma mais decente pela diretora, mas logo tudo voltou "ao normal", como temos informado nas mensagens enviadas e não respondidas pelo Prof. José Benedito.

Na quarta-feira a aluna recebeu uma ligação do coordenador Vagner, da EE Aparecida Donizete de Paula, onde estuda à noite, dizendo que a supervisora de ensino Maria Socorro Diógenes a convocou para uma reunião que foi realizada ontem na EE Prof. Roberto F Monte, às 9:00 da manhã, em Diadema, quando a aluna teve que faltar ao trabalho.

Supomos que se trate de algo parecido com uma "apuração preliminar", pela truculência com que a reunião foi conduzida pela supervisora. Estavam presentes à reunião mais duas senhoras que não foram identificadas. Finalmente obtivemos detalhes de como funcionam essas CAIXAS PRETAS que são os processos administrativos da Secretaria da Educação. E isso só foi possível porque a aluna interrogada, apesar de estar no primeiro ano do Ensino Médio, sabe se expressar muito bem. Ela relatou que foi obrigada a assinar um documento em que suas respostas foram distorcidas e do qual lhe foi negada a cópia. Queremos saber da Secretaria da Educação: apuração preliminar é isso aí???


Pergunta da supervisora para a aluna:
O seu endereço está errado. Constam duas numerações?

Resposta:
Não sei, devo ter me confundido.

Pergunta:
Por que você passou endereço errado?

Resposta:
Não passei endereço errado, apenas me confundi.

(Por varias vezes insistiram nesse assunto, insinuando que eu havia mentido.)

Pergunta:
Você concorda que o aluno use drogas, ande com armas de fogo ou armas brancas?

Resposta:
Estamos em uma escola ou numa delegacia? É desta maneira que o jovem deve ser recebido pela escola da sua comunidade?

Pergunta:
Você não viu no regulamento interno que tem que usar o uniforme?

Resposta:
Sim, eu vi.

(Nesse momento mencionei a lei 3.913 e disse que havia conversado sobre esse assunto na SECRETARIA DA EDUCAÇÃO, então perguntei: já que existe lei estadual, ainda assim a norma prevalece? Então a supervisora respondeu que existe um regimento interno de 1998, do qual "com certeza" o Professor José Benedito não teria conhecimento e disse:

“Porque filha! o José Benedito esta lá em cima cuidando de outras ações mais importantes, ele não tem mesmo que saber sobre regimento interno, ele faz a pose dele e só”.

A Senhora MARIA SOCORRO DIÓGENES não estava disposta a conversar ou esclarecer, ela queria fazer perguntas e obter respostas sem fundamento, queria que eu me comportasse como um ser que não pensa. Ela perguntou apenas sobre o que interessava a ela.)

Pergunta:
Você já conhecia o Professor Jose Benedito?

Resposta:
Não, senhora

Pergunta:
O que ele disse a você?

Resposta:
Não havia muito a dizer, já que eu havia relatado CONSTRANGIMENTO, PERSEGUIÇÃO... HUMILHAÇÃO, conversamos sobre DIREITOS e de uma forma direta, porém educada, sobre DEVERES.

Pergunta:
Como você chegou a ele?

Resposta:
Quando ocorreu o primeiro desatino da DIRETORA eu busquei pelo GOOGLE (direito de alunos) e encontrei o EducaFórum.

Pergunta:
Quem te atendeu no EducaFórum?

Resposta:
Senhora Giulia

Pergunta:
Por que você esteve na DIRETORIA DE ENSINO DE DIADEMA e logo após foi até a SECRETARIA DA EDUCAÇÃO?

Resposta:
Quando sofremos por abuso de poder, perseguição, constrangimento e humilhação, temos uma grande necessidade de retorno e rápido.

Então a supervisora disse: "Serviço público não é assim não, filha, tem que esperar!"

Quando comentei que o Senhor José Benedito havia ligado para a supervisora Carmem e orientado que ela me acompanhasse até a escola para possíveis esclarecimentos com a diretora, ela disse: "Eu não estava sabendo disso, então você conversou com dona Maria Carmem?"

Respondi:
Sim, inclusive a Senhora MARIA CARMEM disse que estava orgulhosa e que eu deveria seguir em frente, fazer valer os meus direitos, e que não era a primeira vez que recebia reclamações referentes aos desatinos da diretora, porém estava de mãos atadas, pois as pessoas não concluíam as reclamações e sem provas era difícil. Inclusive me orientou a procurar as autoridades, ir ao fórum, caso a diretora continuasse a me destratar.

(O que achei interessante é que quando eu fazia alguma pergunta à supervisora a resposta era curta e grossa, ou então ela dizia: "Isso é um problema interno, não entra no processo.")

Os seguintes itens não foram abordados durante a reunião:

I - cobrar taxa de matrícula - Taxa cobrada ilegalmente dos alunos na escola.

III - locar dependências do prédio, no todo ou em parte - Vender camisetas dentro da escola, o que é proibido por lei.

V - instituir o uso obrigatório de uniforme - Sobre este assunto ela fez questão de dizer que existe o regimento interno desde 1998, que porém não pode ser sobreposto a uma lei.

A supervisora também não falou sobre a Lei complementar 444 de 27 de dezembro de 1985:

Artigo 63 – O integrante do Quadro do Magistério tem o dever constante de considerar a relevância social de suas atribuições, mantendo conduta moral e funcional adequada à dignidade profissional, em razão da qual, além das obrigações previstas em outras normas, deverá:
I – conhecer e respeitar as leis;
III – empenhar-se em prol do desenvolvimento do aluno, utilizando processos que acompanhem o progresso científico da educação
IX – respeitar o aluno como sujeito do processo educativo e comprometer-se com eficácia de seu aprendizado

Pedi uma copia do documento que tive que assinar em duas vias e essa foi a resposta da supervisora Maria Socorro Diógenes: “Não! você não irá receber cópia nenhuma, isso aqui é um documento que vai para a Secretaria, não é para ficar voando por aí”.

Resumindo, recebi uma notificação para comparecer na EE PROF ROBERTO F MONTE, onde supostamente ocorreria um entendimento, porem fui bombardeada por perguntas descabidas que fugiam do foco e acabei me sentindo em um julgamento, onde a sentença já havia sido dada: EU ERA CULPADA!

10 Novembro 2009

Rato morto na caixa d´água?

Recebemos um comentário anônimo sobre uma escola que teve que suspender as aulas uma semana por ter sido encontrado um rato morto dentro da caixa d´água. Não vamos publicar o nome da escola nem o fato, pois esse tipo de denúncia tem que ser feita por e-mail, com todos os dados e provas.

07 Novembro 2009

Mídia nota dez!


Ocorreu um fato inédito! Reinaldo Gotino, titular do programa da TV Record que pediu a expulsão de um aluno de oito anos, voltou atrás e reconheceu o erro da afirmação. É uma vitória do bom senso e do sentimento de justiça, por parte de uma mídia que costuma assumir a posição de juiz. Já se foram os tempos em que os jornalistas, educadamente, agradeciam por nossa contribuição e diziam: "Sem vocês, a notícia não existiria". Hoje, o jornalista virou maior do que a notícia e muitas vezes assume a postura de um show man. Parabéns à Record por ter reconsiderado seu erro. Como diz a amiga Cremilda, não deixa de ser um ato de grandeza. Leia o comentário que ela postou na caixa:

O repórter da Record disse que estava enganado ao pedir a expulsão do aluno de oito anos. Que por conta de receber vários e-mails protestando ele reconhece que expulsar aluno não é o caminho, que aluno que agride muito é tão vitima quanto o agredido. Foi muito importante essa conduta. Até hoje eu nunca tinha visto nada igual. Jornalista é normalmente tão arrogante e dono da verdade...

Temos elogiado a Rede Record. Quando aparece situação de conflito na escola ela não corre apressada em defesa da professora como a Rede Globo faz sempre. Do mesmo modo como combatemos a PEDOFOBIA sistemática da Globo, a gente combate e critica na Record a sua PEDOFOBIA ocasional. Não dá para assistir calados um repórter policial pedir que se expulse um aluno de oito anos da escola porque ele bate nos colegas. A agressividade exagerada em criança pequena é sempre um sintoma preocupante que deve ser tratada a causa, não expulsar o aluno da escola. O que agride sistematicamente merece atenção, as agressões comuns também, se queremos ser agentes de uma cultura de paz. Quem tem mais de uma criança em casa sabe que as brigas e competições são comuns e têm que ser gerenciadas e orientadas, mas que são comuns. Imagina se cada vez que dois irmãos brigassem os pais expulsassem um de casa? Aluno não pode, nem deve, apanhar nem bater na escola, nem do colega e nem da professora. O que falta ainda ficar claro é que todo aluno agredido por uma professora vira réu, tem que ser agredido e ficar quietinho. Agora a Secretária de Educação distribui uma cartilha nas escolas avaliando toda agressão e autorizando os crimes de suspensão e expulsão de alunos. Não é porque é autorizado pela Secretaria de Estado da Educação que deixa de ser crime…. De qualquer maneira é sempre bom poder elogiar a Rede Record de novo. A Rede Globo devia seguir esse belissimo exemplo.

Cremilda Estella Teixeira

06 Novembro 2009

Mídia nota zero - A Série VII


Nossa amiga Cremilda, que tem estômago para acompanhar a forma boçal com que a mídia brasileira trata o assunto educação, estava elogiando a forma isenta de algumas reportagens da Record. Ontem, porém, a emissora voltou a pisar na bola. Normal... Vejam os comentários da Cremilda:

Temos elogiado as últimas reportagens policiais da Record, especialmente no programa do GOTINO. Hoje o PERCIVAL DE SOUZA fala um absurdo: quando dois alunos de oito anos brigam dentro da sala de aula, a solução é expulsar da escola o aluno que agrediu o outro….

Para reforçar, ele invoca a "Cartilha dos Corvos", que a Secretaria Estadual distribuiu nas escolas. Nessa cartilha, a SEE de São Paulo aprova as medidas ilegais e imorais que as escolas tomam sempre.

A escola não é apenas para o aluno bonzinho, é direito de todos. O aluno mais dificil ou agressivo é para ser educado, ajudado. Quase sempre criança que agride é aquela que sofre agressão e reproduz esse comportamento com colega mais fraco.

Acesso e permanência na escola é direito garantido pela Constituição, um direito inalienável. Certo que existe essa cartilha, mas ela é uma aberração sob o ponto de vista moral, pedagógico. Um crime !!!

Vem um repórter e pede a expulsão de um aluno de oito anos que agride o colega da mesma idade….? Só faltou pedir rebaixamento da idade penal para sete anos e sugerir que o aluno seja preso. Expulsar um aluno da escola com oito anos é saber que ele vai se matricular na escola do crime, onde sempre tem vaga…. Quando pedem e se esgoelam pedindo pena máxima e rebaixamento penal para adolescente já é absurdo, para um aluno de 8 anos é covardia de uma imprensa PEDÓFOBA…

Considerando que só um por cento dos crimes violentos são cometidos por menores de 18 anos, não se justifica a redução da idade penal com objetivo de reduzir a violência. Pedir expulsão de aluno de oito anos para resolver o problema de uma escola pública corrupta, violenta e que não ensina a ler e escrever, é querer responzabilizar a vítima, na cara dura…

Leia aqui os demais textos da Série Mídia nota zero:
http://educaforum.blogspot.com/2009/10/midia-nota-zero-serie-vi.html

Repetimos:
APENAS UM POR CENTO DOS CRIMES VIOLENTOS SÃO COMETIDOS POR MENORES DE 18 ANOS. A REDUÇÃO DA IDADE PENAL É DELÍRIO DE UMA SOCIEDADE PEDÓFOBA, QUE PENSA EM DERROTAR O INIMIGO MATANDO A PRÓPRIA CRIA.

03 Novembro 2009

Nosso partido é o aluno!


Este blog foi taxado de partidário. É partidário, sim! Nós estamos do lado do aluno, a única vítima de um sistema que privilegia a corporação e a estrutura burocrática que todo ano manipula e desvia milhões das salas de aula, em todos os estados e municípios do país, seja o governo de "direita", de "esquerda" ou qualquer outra "coisa" que valha esse faroeste de corrupção e impunidade que vivemos há décadas.

Estamos do lado de quem deveria ser considerado cliente e é hoje tratado como estorvo, pois a escola pública, no Brasil, serve apenas para sustentar a rede particular de ensino, graças ao seu baixíssimo nível e à falta de segurança que os alunos correm diariamente em seu recinto e adjacências, quando são dispensados devido às aulas vagas, que chegam a 40% do ano letivo, nas piores escolas do país.
O Brasil chegou ao fundo do poço na educação e é com profunda tristeza que repetimos a seguinte citação de Everett Reimer em seu livro A escola está morta, de 1975:

A escola dos tempos modernos tornou-se mais poderosa do que a igreja da idade média. O homem moderno se sujeita mais à influência da escola do que o homem medieval se sujeitava à influência da igreja.

Essa comparação se aplica perfeitamente à condição da escola pública no Brasil, de norte a sul: como vivemos denunciando, os Conselhos de Escola tornaram-se TRIBUNAIS DA INQUISIÇÃO PARA A EXPULSÃO DE ALUNOS.

Escola "boa", para os políticos e a classe "docente" brasileira, é escola sem alunos. Por isso nadamos contra corrente, pois somos pais de alunos e queremos reverter uma situação à qual cabe o famoso discurso de Ruy Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades..."

02 Novembro 2009

Glória querida, continue conosco!





De todos nós, que há mais de vinte anos batalhamos por uma escola pública de qualidade para todos, uma pessoa tem o brilho mais especial, a prática mais digna, a sensibilidade mais profunda, a inteligência mais aguçada e os maiores conhecimentos sobre educação. É a professora Glória Reis, autora do livro Escola, instituição da tortura. Com muita tristeza, acabamos de ler a mensagem a seguir em seu blog e esperamos que sua decisão não seja definitiva.

Quando as palavras não podem ser mais dignas que o silêncio, é melhor a gente calar-se e esperar. Denunciar diante de quem? Para quem? (Eduardo Galeano)

Quando iniciei este blog em julho de 2005, foi imbuída da certeza de que, com o uso da mais moderna ferramenta de comunicação, a internet, unida a companheiros e companheiras com o mesmo objetivo, conseguiríamos, até que enfim, atingir a estrutura carcomida da instituição “escola”.

Meu objetivo era unicamente tratar de temas que se referissem à vida de nossas crianças e adolescentes, em especial educação e escola. Enfrentei autoritarismo, cinismo, indiferença, crueldade, burrice, enfim, toda essa cultura de descaso e violência que cerca a (des)educação de nossas crianças.

Em 1975, Everett Reimer escreveu o famoso livro “A escola está morta”, no qual afirma que “a menos que os atuais padrões escolares sejam completamente abandonados, não se poderá jamais conservar as crianças pobres nas escolas pelo mesmo tempo que as ricas”.

Ele completou:
“A escola dos tempos modernos tornou-se mais poderosa do que a igreja da idade média. O homem moderno se sujeita mais à influência da escola do que o homem medieval se sujeitava à influência da igreja.”

Achei que o Everett Reimer exagerava. Havia esperança. Os tempos mudando, a escola mudaria.

Ledo engano. Mudou sim, para pior. Com o passar do tempo, tenho assistido a mais horrores dos que os que descrevi em meu livro “Escola, instituição da tortura”, em 2004.

Fui tomada pela mágoa quando descobri que nos meus próprios projetos que coordenei durante anos, faltavam afeto e responsabilidade no atendimento a nossas crianças.

Com a desesperança (o tempo, a saúde...), encerrei meus projetos e minha missão neste blog.

Agradeço a todos os leitores desses anos e comunico que continuo com o projeto Recomeço (o jornal dos detentos) trabalhando no jornal impresso e no
blog.

Glória Costa Reis