24 Novembro 2009

Mídia nota zero - A Série VIII



Leia no blog da Cremilda o post E as Notas Fiscais "frias" nas escolas públicas?, assunto levantado pelo EducaFórum há mais de um ano, com provas e testemunhos válidos, mas absolutamente ignorado pela mídia.

Como diz o amigo Edson Ferreira da Silva, é porque os filhos da classe média, inclusive dos jornalistas, estão na escola particular.

Uma vez perguntei a opinião de um educador de renome, acadêmico respeitado em todo o Brasil, a respeito do assunto e ele me respondeu que não se tratava de problema educacional, mas de caso de polícia...

Leia aqui os posts anteriores da Série Mídia nota zero.

21 Novembro 2009

A educação, sem discussão


Outro dia recebi e-mail de um repórter do Valor Econômico, pedindo para comentar uma matéria que ele estava elaborando sobre política educacional. Tive um trabalhão para comentar o texto, depois recebi uma resposta dizendo que minhas colocações eram amplas demais e não poderia publicá-las. Pois é, no Brasil não se discute educação, a mídia fica sempre no mesmo lero-lero...

Entre os poucos que discutem educação - porque conhecem os bastidores - está nossa amiga Cremilda, que costuma surpreender com seus posts inteligentes. Veja no texto abaixo suas colocações sobre o "pistolão" no sistema educacional brasileiro. Pois é, se você achar que esse termo é antiquado, leia com atenção e comente depois. Aliás, o maior exemplo de "pistolão" que se conhece é o tal professor que promoveu o bullying contra um aluno que chamou de "bicha", não foi punido e acabou sendo promovido a coordenador em outra escola.

PREMIANDO A NULIDADE
Cremilda Estella Teixeira

Vem de fora o especialista dizer que não adianta avaliar a qualidade do ensino no Brasil, se não for para tomar nenhuma medida. Isso a gente sabe…

O Prof. Santiago Cueto é especialista em educação na América Latina. Pior que fazer avaliação é pagar por uma avaliação da qual todos sabem o resultado. Os alunos em todo o Brasil não aprendem o mínimo. Estamos muito mal em relação aos outros países também, mal aqui e lá fora. Em qualquer medida comparativa o Brasil perde longe…

O especialista comete um erro grave, quando declara que salário não resolve problema da má qualidade do ensino, mas que um bom salário atrai os melhores profissionais. Acho que não contaram para ele que aqui em São Paulo o melhor sálário pode até provocar o interesse de bons profissionais, mas que existe um sistema de pistolão para se contratar um professor, diretor ou supervisor de ensino. Ele é contratado com o QUEM INDICA, depois faz um concurso e, de forma misteriosa, só os indicados é que ficam. Os profissionais de fora, e bons, continuam de fora. Não tendo um QI forte, nada feito. Temos a volta triunfal do pistolão na escola pública. Os Dirigentes Regionais são cabos eleitorais dos políticos e recebem verbas que distribuem como querem…

Fiscalização nenhuma. Fiscalização teria que ser feita por quem paga a conta. Os pais. Exatamente os pais são alijados do processo. Um pais onde a verba é suficiente para uma escola de primeiro mundo, tem uma escola falida e mergulhada na corrupção. Tanta verba que sobram bilhões, que o governo divide entre os profissionais. Uma escola miserável, verdadeiros escombros, e sobra um bilhão de verba... Essa espetacular “sobra” vira premio com o nome de bônus.

Uma gratificação…. Agradecendo o quê ???
PREMIANDO A NULIDADE

18 Novembro 2009

Mensagem da aluna desistente




A aluna que nos acompanhou até à COGSP e recebeu a promessa de ser deixada em paz na escola onde era perseguida pela diretora, desistiu de lutar e encaminhou às autoridades a seguinte mensagem:

Boa noite!

Eu, Luciana Vieira Silva, aluna regularmente matriculada na EE Profª Aparecida Donizete de Paula, declaro que os constrangimentos e abuso moral de que tenho sido vítima na referida escola finalmente chegaram ao fim, pois desisti de lutar pelos meus direitos, já que, segundo a senhora MARIA SOCORRO DIÓGENES (supervisora de Ensino), o serviço público é moroso.

A minha dignidade não pode esperar. Não consigo mais conviver com tamanha falta de respeito.

Além disso, não tenho paz para a realização dos estudos, pois quase todos os dias o coordenador vai à minha sala com uma advertência para eu assinar. Já me sinto mal em ver todos os dias os meus colegas me olhando como uma infratora.

Claro... É assim que me fazem parecer! “Bom aluno” é aquele que se deixa transformar em fantoche, massa de manobra na sala de aula. Mas no meu caso não dá certo, sou um ser pensante, graças a Deus.

Essa diretora roubou completamente o prazer de estar em sala de aula. Como a maioria dos estudantes do EJA eu trabalho, não tenho tempo a perder participando de reuniões, para ser sincera, MONÓLOGOS. Não participarei desse teatrinho pobre, que para lugar algum me levará e que eu jamais esperava encontrar em seres que se dizem profissionais da Educação. PROFISSIONAIS? SERÁ?

Para resumir, prevalece a ditadura dentro da EE Profª Aparecida Donizete de Paula.

Por favor, apesar da falta de incentivo da escola, abandonar meus estudos não é o caminho, por isso gostaria de saber se ainda existe a possibilidade de concluir este semestre em outra escola ou garantia de que terei vaga no próximo, já que não foi possível solucionar as pendências junto à direção desta escola. Preocupa-me o fato de estarem sempre avisando nas salas que não devemos desistir. já que o EJA está quase no fim e novas turmas não serão iniciadas. Isso é fato?


RESPOSTA DO EDUCAFÓRUM: Luciana, você é uma das pessoas mais brilhantes que já nos pediram ajuda. Infelizmente não conseguimos resolver seu problema, mas saiba que se cada escola tivesse meia dúzia de alunos com metade da sua coragem e determinação, a corja que infesta a rede pública de ensino não se sentiria tão à vontade para podar e prejudicar pessoas tão merecedoras de apoio como você. Acredite, é por inveja e ressentimento que você foi discriminada e agredida. Qual dos professores da escola que te levou à desistência escreve de forma tão inteligente e bem articulada?... O coordenador pedagógico que vivia te entregando advertências morria de inveja da sua coragem de enfrentar a diretora, que finalmente conseguiu o que queria: te afastar da escola. O ponto positivo desta história triste é que você não vai mais precisar cruzar o caminho dessas pessoas mesquinhas e sem caráter. Muito boa sorte, Luciana, que você possa continuar seus estudos, afinal você está apenas no primeiro ano do Ensino Médio, por incrível que possa parecer!

15 Novembro 2009

A aluna pediu transferência de escola!



Quem acompanhou o caso da aluna de Diadema, perseguida pela diretora por não usar o uniforme da escola, vendido ilegalmente na EE Aparecida Donizete de Paula, saiba que ela acabou desistindo de lutar pela própria integridade dentro da escola e pediu transferência. Leia aqui o post anterior, http://educaforum.blogspot.com/2009/11/prof-paulo-renato-prof-jose-benedito.html, em que ela relata o constrangimento que sofreu durante a "apuração preliminar" de que foi vítima.

A boa notícia é que ela não desistiu de estudar. Seria uma pena, pois poucos professores escrevem tão bem quanto essa aluna, que está apenas no 1º Ano de supletivo do Ensino Médio. Esta é a pura realidade:

A VÍTIMA QUE TEM CORAGEM DE DENUNCIAR OS MAUS TRATOS SOFRIDOS DENTRO DA ESCOLA TORNA-SE DUPLAMENTE VÍTIMA DURANTE OS PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DA SECRETARIA DA EDUCAÇÃO. ASSIM ELA DESISTE DA LUTA, O QUE FORTALECE O AUTORITARISMO E A CORRUPÇÃO DENTRO DA REDE PÚBLICA DE ENSINO.

Leia a mensagem que recebemos da aluna na sexta-feira:

Por volta das 16:00 hs vou até à diretoria de Diadema, pedir para a Dona Maria Carmem que consiga outra escola, para que eu possa realizar as últimas provas em outra, ou pelo menos garantir minha matricula para o próximo período.

Estou com a pressão nas alturas e com o corpo trêmulo. Sinceramente não compensa, pois existem outros valores, minha saúde, meu trabalho, valores que não posso comprometer por uma situação que não terá fim.

Agradeço a atenção,
Luciana Vieira Silva

13 Novembro 2009

Prof. Paulo Renato, Prof. José Benedito, isso é apuração preliminar???


Nos últimos dias enviamos diversos e-mails para o Prof. José Benedito da COGSP, mas não recebemos resposta. Acreditamos que ele não os tenha recebido, pois costuma ser muito solícito. Também deixamos recados, mas conhecemos bem sua assessoria...

Por isso, e devido à urgência deste assunto (os outros podem esperar), publicamos trechos de uma longa mensagem que recebemos da mesma aluna de Diadema que esteve conosco na COGSP em 15 de outubro, relatando os constrangimentos e abuso moral de que tem sido vítima na escola. No dia seguinte à reunião, a aluna ficou com a impressão de que passaria a ser tratada de forma mais decente pela diretora, mas logo tudo voltou "ao normal", como temos informado nas mensagens enviadas e não respondidas pelo Prof. José Benedito.

Na quarta-feira a aluna recebeu uma ligação do coordenador Vagner, da EE Aparecida Donizete de Paula, onde estuda à noite, dizendo que a supervisora de ensino Maria Socorro Diógenes a convocou para uma reunião que foi realizada ontem na EE Prof. Roberto F Monte, às 9:00 da manhã, em Diadema, quando a aluna teve que faltar ao trabalho.

Supomos que se trate de algo parecido com uma "apuração preliminar", pela truculência com que a reunião foi conduzida pela supervisora. Estavam presentes à reunião mais duas senhoras que não foram identificadas. Finalmente obtivemos detalhes de como funcionam essas CAIXAS PRETAS que são os processos administrativos da Secretaria da Educação. E isso só foi possível porque a aluna interrogada, apesar de estar no primeiro ano do Ensino Médio, sabe se expressar muito bem. Ela relatou que foi obrigada a assinar um documento em que suas respostas foram distorcidas e do qual lhe foi negada a cópia. Queremos saber da Secretaria da Educação: apuração preliminar é isso aí???


Pergunta da supervisora para a aluna:
O seu endereço está errado. Constam duas numerações?

Resposta:
Não sei, devo ter me confundido.

Pergunta:
Por que você passou endereço errado?

Resposta:
Não passei endereço errado, apenas me confundi.

(Por varias vezes insistiram nesse assunto, insinuando que eu havia mentido.)

Pergunta:
Você concorda que o aluno use drogas, ande com armas de fogo ou armas brancas?

Resposta:
Estamos em uma escola ou numa delegacia? É desta maneira que o jovem deve ser recebido pela escola da sua comunidade?

Pergunta:
Você não viu no regulamento interno que tem que usar o uniforme?

Resposta:
Sim, eu vi.

(Nesse momento mencionei a lei 3.913 e disse que havia conversado sobre esse assunto na SECRETARIA DA EDUCAÇÃO, então perguntei: já que existe lei estadual, ainda assim a norma prevalece? Então a supervisora respondeu que existe um regimento interno de 1998, do qual "com certeza" o Professor José Benedito não teria conhecimento e disse:

“Porque filha! o José Benedito esta lá em cima cuidando de outras ações mais importantes, ele não tem mesmo que saber sobre regimento interno, ele faz a pose dele e só”.

A Senhora MARIA SOCORRO DIÓGENES não estava disposta a conversar ou esclarecer, ela queria fazer perguntas e obter respostas sem fundamento, queria que eu me comportasse como um ser que não pensa. Ela perguntou apenas sobre o que interessava a ela.)

Pergunta:
Você já conhecia o Professor Jose Benedito?

Resposta:
Não, senhora

Pergunta:
O que ele disse a você?

Resposta:
Não havia muito a dizer, já que eu havia relatado CONSTRANGIMENTO, PERSEGUIÇÃO... HUMILHAÇÃO, conversamos sobre DIREITOS e de uma forma direta, porém educada, sobre DEVERES.

Pergunta:
Como você chegou a ele?

Resposta:
Quando ocorreu o primeiro desatino da DIRETORA eu busquei pelo GOOGLE (direito de alunos) e encontrei o EducaFórum.

Pergunta:
Quem te atendeu no EducaFórum?

Resposta:
Senhora Giulia

Pergunta:
Por que você esteve na DIRETORIA DE ENSINO DE DIADEMA e logo após foi até a SECRETARIA DA EDUCAÇÃO?

Resposta:
Quando sofremos por abuso de poder, perseguição, constrangimento e humilhação, temos uma grande necessidade de retorno e rápido.

Então a supervisora disse: "Serviço público não é assim não, filha, tem que esperar!"

Quando comentei que o Senhor José Benedito havia ligado para a supervisora Carmem e orientado que ela me acompanhasse até a escola para possíveis esclarecimentos com a diretora, ela disse: "Eu não estava sabendo disso, então você conversou com dona Maria Carmem?"

Respondi:
Sim, inclusive a Senhora MARIA CARMEM disse que estava orgulhosa e que eu deveria seguir em frente, fazer valer os meus direitos, e que não era a primeira vez que recebia reclamações referentes aos desatinos da diretora, porém estava de mãos atadas, pois as pessoas não concluíam as reclamações e sem provas era difícil. Inclusive me orientou a procurar as autoridades, ir ao fórum, caso a diretora continuasse a me destratar.

(O que achei interessante é que quando eu fazia alguma pergunta à supervisora a resposta era curta e grossa, ou então ela dizia: "Isso é um problema interno, não entra no processo.")

Os seguintes itens não foram abordados durante a reunião:

I - cobrar taxa de matrícula - Taxa cobrada ilegalmente dos alunos na escola.

III - locar dependências do prédio, no todo ou em parte - Vender camisetas dentro da escola, o que é proibido por lei.

V - instituir o uso obrigatório de uniforme - Sobre este assunto ela fez questão de dizer que existe o regimento interno desde 1998, que porém não pode ser sobreposto a uma lei.

A supervisora também não falou sobre a Lei complementar 444 de 27 de dezembro de 1985:

Artigo 63 – O integrante do Quadro do Magistério tem o dever constante de considerar a relevância social de suas atribuições, mantendo conduta moral e funcional adequada à dignidade profissional, em razão da qual, além das obrigações previstas em outras normas, deverá:
I – conhecer e respeitar as leis;
III – empenhar-se em prol do desenvolvimento do aluno, utilizando processos que acompanhem o progresso científico da educação
IX – respeitar o aluno como sujeito do processo educativo e comprometer-se com eficácia de seu aprendizado

Pedi uma copia do documento que tive que assinar em duas vias e essa foi a resposta da supervisora Maria Socorro Diógenes: “Não! você não irá receber cópia nenhuma, isso aqui é um documento que vai para a Secretaria, não é para ficar voando por aí”.

Resumindo, recebi uma notificação para comparecer na EE PROF ROBERTO F MONTE, onde supostamente ocorreria um entendimento, porem fui bombardeada por perguntas descabidas que fugiam do foco e acabei me sentindo em um julgamento, onde a sentença já havia sido dada: EU ERA CULPADA!

10 Novembro 2009

Rato morto na caixa d´água?

Recebemos um comentário anônimo sobre uma escola que teve que suspender as aulas uma semana por ter sido encontrado um rato morto dentro da caixa d´água. Não vamos publicar o nome da escola nem o fato, pois esse tipo de denúncia tem que ser feita por e-mail, com todos os dados e provas.

07 Novembro 2009

Mídia nota dez!


Ocorreu um fato inédito! Reinaldo Gotino, titular do programa da TV Record que pediu a expulsão de um aluno de oito anos, voltou atrás e reconheceu o erro da afirmação. É uma vitória do bom senso e do sentimento de justiça, por parte de uma mídia que costuma assumir a posição de juiz. Já se foram os tempos em que os jornalistas, educadamente, agradeciam por nossa contribuição e diziam: "Sem vocês, a notícia não existiria". Hoje, o jornalista virou maior do que a notícia e muitas vezes assume a postura de um show man. Parabéns à Record por ter reconsiderado seu erro. Como diz a amiga Cremilda, não deixa de ser um ato de grandeza. Leia o comentário que ela postou na caixa:

O repórter da Record disse que estava enganado ao pedir a expulsão do aluno de oito anos. Que por conta de receber vários e-mails protestando ele reconhece que expulsar aluno não é o caminho, que aluno que agride muito é tão vitima quanto o agredido. Foi muito importante essa conduta. Até hoje eu nunca tinha visto nada igual. Jornalista é normalmente tão arrogante e dono da verdade...

Temos elogiado a Rede Record. Quando aparece situação de conflito na escola ela não corre apressada em defesa da professora como a Rede Globo faz sempre. Do mesmo modo como combatemos a PEDOFOBIA sistemática da Globo, a gente combate e critica na Record a sua PEDOFOBIA ocasional. Não dá para assistir calados um repórter policial pedir que se expulse um aluno de oito anos da escola porque ele bate nos colegas. A agressividade exagerada em criança pequena é sempre um sintoma preocupante que deve ser tratada a causa, não expulsar o aluno da escola. O que agride sistematicamente merece atenção, as agressões comuns também, se queremos ser agentes de uma cultura de paz. Quem tem mais de uma criança em casa sabe que as brigas e competições são comuns e têm que ser gerenciadas e orientadas, mas que são comuns. Imagina se cada vez que dois irmãos brigassem os pais expulsassem um de casa? Aluno não pode, nem deve, apanhar nem bater na escola, nem do colega e nem da professora. O que falta ainda ficar claro é que todo aluno agredido por uma professora vira réu, tem que ser agredido e ficar quietinho. Agora a Secretária de Educação distribui uma cartilha nas escolas avaliando toda agressão e autorizando os crimes de suspensão e expulsão de alunos. Não é porque é autorizado pela Secretaria de Estado da Educação que deixa de ser crime…. De qualquer maneira é sempre bom poder elogiar a Rede Record de novo. A Rede Globo devia seguir esse belissimo exemplo.

Cremilda Estella Teixeira